Mostra de cinema transforma o audiovisual em ferramenta potente de educação ambiental

por Redação
1 de setembro de 2025 às 12h15min

MARÉ celebra sua 10ª edição no Recife, em Noronha e Portugal com filmes, oficinas, debates e atividades ambientais

A Mostra Ambiental de Cinema do Recife (Maré) comemora dez anos de cinema, meio ambiente e encontros, tendo sua trajetória transformando telas em territórios de debate e reflexão social. Entre os dias 2 e 7 de setembro, a Mostra ocupa os principais cinemas de rua do Recife e chega também a Fernando de Noronha (pela quarta vez) e à Cidade do Porto, em Portugal (pela segunda vez), reafirmando sua vocação de movimento cultural e político que une arte, ancestralidade e consciência socioambiental. Toda a programação é gratuita.

“A MARÉ se tornou movimento! Anualmente realizamos oficinas, debates, encontros, sessões especiais, participação em eventos e congressos acadêmicos, dentre uma série de agendas que desaguam no festival. É incrível observar como a pauta do meio ambiente e da sustentabilidade tomou conta do dia a dia das pessoas e da sociedade, acompanhamos o crescimento desse tema e ficamos muito felizes em contribuir com essa agenda ao longo dos anos. Após todo esse tempo, continuamos firmes com nossa missão de transformar o cinema e o audiovisual em ferramenta potente de educação ambiental, afinal são 10 anos de cinema e meio ambiente! Vida longa à MARÉ”, destaca o coordenador geral da MARÉ, Rafael Buda.

Homenagem a Nêgo Bispo

A abertura da 10ª MARÉ acontece no Teatro do Parque, no dia 2 de setembro, com tributo ao pensador quilombola Nêgo Bispo, falecido em 2023. Será exibido o filme Confluências, de Dácia Ibiapina, premiado no último Festival de Brasília. Joana Maria Bispo, filha de Nêgo Bispo, estará presente durante a sessão. Ela afirma que para o seu pai, a cultura reflete o nosso modo de vida, “ele tem uma frase que eu gosto muito, que diz assim: ‘não há quem diga mais que a vida de um povo melhor que as suas cantigas, e não há pujança que expresse o seu povo melhor que as suas danças’. Então, é pela cultura que a gente mantém viva a nossa ancestralidade, que a gente conta a nossa história e que a gente se mobiliza. Ele trouxe isso de maneira muito forte para o Brasil, mostrando o quanto nossos modos de vida precisam ser preservados e como tudo isso se relaciona com a cultura. O filme Confluências é justamente essa história contada, de como a gente vive, festeja, celebra e se relaciona com as outras pessoas e com os outros viventes”, comentou.

Arte e ancestralidade

A identidade visual da edição é assinada por Daiara Tukano, artista internacional vinda do povo Yepá Mahsã, da nação Tukano do Alto Rio Negro. Inspirada na miração (Hori), percepção ligada ao Kahpi (Ayahuasca), sua obra reúne símbolos sagrados como Miriãporã, os pássaros mensageiros; os peixes, guardiões dos rios; a cobra, força da renovação; e o olhar, que ilumina caminhos. A animação de Paulo Leonardo acrescenta movimento e luz à arte, expandindo sua potência simbólica.
Programação e novidades

A MARÉ traz uma seleção de filmes nacionais e internacionais sobre natureza, biodiversidade, povos originários, mudanças climáticas e conflitos socioambientais, além de ações paralelas:

Oficinas ReciclAnima – quatro oficinas de stop motion em três unidades do Compaz, conduzidas por Bruno Cabus, integrando crianças e jovens à linguagem audiovisual a partir da reciclagem e da imaginação.

Marezinha – estreia de uma sessão infantil com Bambi, em live action, ampliando a formação de novos públicos.

Exposição MARÉ – mostra dos cartazes que marcaram a trajetória do festival, no Teatro do Parque.

Catálogo de pesquisa – publicação inédita na Fundaj, com mapeamento e análise da produção de filmes com temática ambiental em Pernambuco.

MARÉPLAY – a MARÉ disponibiliza todos os anos diversos filmes para serem assistidos gratuitamente em sua plataforma digital

Seminário – em parceria com o Instituto Toró, debates sobre meio ambiente, cultura e audiovisual, fortalecendo o espaço de reflexão acadêmica e comunitária.

Destaques da telona

A curadoria promove o encontro entre diferentes gerações do cinema brasileiro. A mostra apresenta veteranos como Daniela Thomas — parceira de Walter Salles em Terra Estrangeira — e novos talentos como a jovem indígena Vanessa Kypá, da Paraíba. Estreias importantes chegam com “Lá no alto”, de Juliana Lima e “Malunguinho na mata é reis”, de Marcelo Pedroso e Dea Ferraz. “Lista de desejos para Superagüi”, de Pedro Giongo, vencedor da Mostra Aurora, em Tiradentes, soma-se a longas que circularam em festivais como É Tudo Verdade, Mostra Ecofalante e FICA. Sessões críticas ganham relevo com obras como “Cavaram uma cova no meu coração” e “Rejeito” que denunciam crimes socioambientais de corporações como Vale e Braskem.