13 de abril de 2026 às 10h34min
Em Pernambuco, foram registrados 88 casos de feminicídio no ano passado, um aumento de 14% em relação ao ano anterior
Uma ação inédita nas ruas do bairro de Peixinhos transforma um dos símbolos mais populares do cotidiano — o carro dos ovos — em instrumento de conscientização sobre um dos problemas mais urgentes do país: a violência contra mulheres. O projeto Carro dos Ovos pela Vida das Mulheres, idealizado pelo Fórum Popular de Segurança Pública de Pernambuco com apoio do Grupo Comunidade Assumindo Suas Crianças (GCASC) e do Gabinete Jurídico de Apoio às Organizações Populares (Gajop), estreia nesta segunda-feira.
A proposta é simples, acessível e potente: distribuir gratuitamente as bandejas de ovos acompanhadas de materiais educativos que orientam, de forma discreta, como buscar ajuda em situações de violência. A iniciativa surge em um contexto alarmante. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ao menos 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil em 2025, o equivalente a cerca de 4 por dia.
Em Pernambuco, foram registrados 88 casos no ano passado, um aumento de 14% em relação ao ano anterior. Mais do que uma ação pontual, o projeto aposta na força do território e na escuta direta da população. Utilizando o carro dos ovos como plataforma multimídia, a iniciativa leva informação por meio do áudio, linguagem popular e objetos do dia a dia, como panos de prato e receitas de bolo, itens em que são incluídas mensagens de apoio e orientação, como o incentivo à denúncia por meio do Ligue 180.
“A cada quatro dias, uma mulher foi assassinada por um homem no nosso Estado. Oitenta e oito feminicídios só no ano passado. Essa realidade precisa mudar”, diz um trecho da mensagem que será veiculada no sistema de som.
Durante a ação, moradores e moradoras que se aproximarem do carro ganharão uma bandeja com meia dúzia de ovos, além dos materiais informativos, e poderão participar de conversas abertas com integrantes das organizações envolvidas.
“A ideia é usar um elemento presente no cotidiano das comunidades para abrir diálogo sobre um tema delicado e muito urgente. Queremos chegar às mulheres em situação de vulnerabilidade, mas também provocar os homens a refletirem sobre seu papel”, explica a coordenadora executiva do Gajop, Edna Jatobá.
Com abordagem empática e baseada na troca, o projeto propõe informação e acolhimento. A ação também reforça que a violência de gênero é um fenômeno estrutural, frequentemente marcado por silêncio, subnotificação, e naturalização social, e que enfrentar a situação exige diálogo, informação e presença nos territórios com amparo social.
Simultaneamente à ação, o Grupo Comunidade Assumindo Suas Crianças (GCASC) realizará um mutirão de atendimento jurídico em sua sede (Avenida Nacional, nº 260, Peixinhos – Olinda/PE), com o apoio do Gabinete Jurídico de Apoio às Organizações Populares (Gajop). A iniciativa oferecerá assistência jurídica popular, com encaminhamento de casos de violência de gênero, além de orientações sobre outras demandas legais. O atendimento acontecerá das 09h às 13h.