22 de julho de 2026 às 09h52min
O desafio agora é transformar candidaturas em mais eleitos
A presença de pessoas negras na política brasileira vem crescendo nos últimos anos, impulsionada por mudanças na legislação eleitoral e por políticas de promoção da igualdade racial. Apesar de pretos e pardos já representarem a maioria das candidaturas nas eleições municipais de 2024, os cargos eletivos continuam sendo ocupados, em sua maioria, por pessoas brancas, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Entre os avanços está a distribuição proporcional do Fundo Eleitoral e do tempo de propaganda para candidaturas negras. Para o professor de Direito da FACI Wyden, Hugo Bretas, a medida representa um importante passo para reduzir desigualdades históricas.
“As decisões do Tribunal Superior Eleitoral representam um marco importante na concretização do princípio constitucional da igualdade material”, comenta.
O especialista ressalta, porém, que o aumento das candidaturas não garante, por si só, maior representatividade. Fatores como acesso ao financiamento, inserção partidária, visibilidade pública e formação de lideranças ainda influenciam diretamente o resultado das eleições. Segundo Bretas, fortalecer a representatividade racial significa aproximar as instituições da realidade brasileira e ampliar a diversidade de perspectivas nos espaços de decisão.
“A representatividade racial não significa que um parlamentar represente apenas determinado grupo, mas que o Parlamento reflita, de maneira mais próxima, a pluralidade da sociedade brasileira.”
Para o docente, os próximos avanços dependem do fortalecimento da democracia interna dos partidos, da fiscalização da aplicação dos recursos públicos e do incentivo à formação de novas lideranças, garantindo condições mais equilibradas para a disputa eleitoral e uma democracia cada vez mais representativa.