5 de agosto de 2026 às 16h50min
Ateliê inédito, Bienal de São Paulo e o início das celebrações dos 100 anos do artista transformam a Oficina em um dos principais polos culturais do país
Às vésperas do centenário de nascimento do seu patrono, celebrado em junho de 2027, a Oficina Francisco Brennand inicia, no próximo 8 de agosto, o primeiro ato do ciclo de comemorações dos 100 anos do pernambucano. A abertura inédita do ateliê do artista à visitação e a chegada da itinerância da 36ª Bienal de São Paulo ao museu-ateliê, no Recife, marcam o início dessa programação, galvanizando um projeto institucional estruturado há sete anos para preservar a obra do artista e mantê-la em permanente diálogo com a produção contemporânea, a pesquisa, a educação e novos públicos.
É nesse contexto que a Oficina recebe, entre 8 de agosto e 18 de outubro, a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo, que retorna ao Recife após 15 anos. No museu, será apresentada a exposição “Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática”, com organização dos curadores adjuntos André Pitol e Leonardo Matsuhei. A recepção da mostra sublinha a ítaca da Oficina: um espaço onde acervo e produção contemporânea se encontram. Na capital pernambucana, o recorte reunirá obras de 14 artistas, estabelecendo conversações com referências culturais de Pernambuco presentes na concepção curatorial da 36ª Bienal, entre elas o Manguebit e o estuário formado pelos rios Capibaribe e Beberibe, compreendidos como metáforas de encontro, negociação e convivência entre diferentes mundos.
Uma janela para o mundo
Ainda entre os marcos que inauguram esse novo ciclo, a abertura do ateliê do artista para visitação oferece ao público uma nova chave de leitura sobre a obra e o pensamento do artista. Sob curadoria da diretora Artística e de Programação da instituição, Camila Bechelany, o espaço expositivo “Ateliê Francisco Brennand – Uma janela para o mundo”, localizado nos Salões de Esculturas da Oficina, foi submetido a um cuidadoso trabalho de reforma, conservação e reorganização, recuperando seu mobiliário original e a disposição dos objetos conforme eram utilizados por Francisco. Biblioteca, materiais de pintura, escritos, documentos e objetos de uso cotidiano voltam a ocupar o ambiente, permitindo que o visitante compreenda o ateliê como um lugar de criação, pensamento e investigação.
Após a morte de Francisco Brennand, em 2019, a equipe de Acervo e Documentação realizou um amplo levantamento da coleção preservada no ateliê, identificando cerca de 17 mil itens entre livros, catálogos, fotografias, jornais, mobiliário, materiais de trabalho, objetos pessoais e obras até então inéditas ao público. Esse trabalho de pesquisa e documentação deu origem ao projeto de abertura do espaço, concebido para oferecer uma leitura ampliada do universo intelectual do artista.
A visita foi organizada em dois núcleos complementares. O primeiro apresenta uma área interpretativa, reunindo manuscritos, cartas, moldes, estudos, fotografias históricas, documentos e conteúdos audiovisuais que ajudam a compreender o processo criativo de Francisco Brennand. O segundo preserva o núcleo original do ateliê, mantendo praticamente inalterados o cavalete, pincéis, escrivaninha, cadeiras, mesas, bengalas e outros objetos que integravam sua rotina de trabalho.
“Em 2027, a Oficina comemora cem anos do nascimento de seu idealizador e queremos, na ocasião, oferecer uma leitura ampla e não-linear da obra de Francisco Brennand, articulando sua produção artística, sua escrita e a documentação entorno de sua vida e obra para revelar seu pensamento dentro de um tempo presente. Sempre foi desejo de Brennand manter o diálogo com os temas e os artistas contemporâneos e acolher novas perspectivas e produções na Oficina. A abertura do Ateliê à visitação e a recepção da itinerância da 36ª Bienal de São Paulo reafirmam esse desejo original de fazer da Oficina um lugar vivo e de experimentação”, anota Camila Bechelany.