Muito além do salmão, restaurante no Recife aposta nos sabores mais nobres da cozinha japonesa

por Redação
4 de setembro de 2026 às 07h42min

Com ingredientes como hamachi, centolla, vieira e bluefin, Hiro propõe uma experiência que foge do tradicional salmão

A gastronomia japonesa vem ampliando seu espaço entre os recifenses e, com ela, também cresce o interesse por ingredientes que vão muito além do tradicional salmão. Inaugurado em Setúbal, na zona sul do Recife, o Hiro Cozinha Japonesa aposta nessa diversidade para apresentar ao público ingredientes considerados nobres na culinária japonesa e internacional, como hamachi japonês, conhecido como olhete, vieira canadense, enguia, uni, a gônada do ouriço, polvo, ovas de salmão, centolla e bluefin espanhol.

Para Marcus Kanashiro, chef do restaurante, ampliar o repertório de ingredientes é também uma forma de apresentar ao público novas possibilidades dentro da cozinha japonesa.

“O salmão se tornou muito popular no Brasil e foi importante para aproximar as pessoas da gastronomia japonesa, mas existe um universo muito maior de ingredientes para ser explorado. O olhete, o bluefin, a vieira, o uni e a enguia, por exemplo, apresentam características completamente diferentes entre si. Nosso trabalho é respeitar cada ingrediente, valorizar suas particularidades e criar preparos que façam sentido para o paladar do público daqui”, explica.

Segundo Kanashiro, é importante destacar a sazonalidade dos peixes regionais como o Robalo, Cioba, Pargo, Xaréu, Olhete Nacional, que são peixes que não têm fixo no cardápio do restaurante, mas que são os pescados frescos, saborosos e nutritivos, que o mar oferece. O chef chama atenção ainda para a importância do armazenamento e técnicas, e, sobretudo, para a qualidade do pescado.

“Manter peixes e frutos do mar sempre na temperatura adequada e evitar contaminação cruzada é muito importante. As facas devem ser bem afiadas e os cortes precisos, respeitando a textura e a estrutura de cada ingrediente. O arroz deve ter cozimento, temperatura, textura e equilíbrio corretos entre vinagre, açúcar e sal; e os ingredientes crus devem permanecer refrigerados até o momento do preparo e serviço”, alerta o especialista.

Além disso, no Hiro, a proposta também aparece em criações que aproximam a culinária japonesa de outras tradições gastronômicas. Um exemplo é o Adele Maguro, tartar de atum finalizado com pimenta-síria e zaatar, em referência ao Adele Cozinha Libanesa, primeiro restaurante do grupo.

“A ideia do Hiro nunca foi simplesmente reproduzir o que já existe. Queremos oferecer uma experiência japonesa contemporânea, mas que também tenha identidade e dialogue com a nossa história. É interessante mostrar ao cliente que ele pode descobrir um novo ingrediente e, ao mesmo tempo, encontrar uma combinação que tenha alguma referência familiar”, afirma João Pedro César, sócio do restaurante.

A experiência se estende ainda à cozinha quente e à coquetelaria. Entre os destaques está o Yakiniku Hiro, preparado com lâminas de wagyu em pedra aquecida, permitindo que o próprio cliente sele a carne. Na carta de drinques, ingredientes como matchá, yuzu, togarashi, wasabi e gengibre aparecem em criações pensadas para acompanhar a culinária da casa. Com a proposta de ampliar o olhar do público sobre a gastronomia japonesa, o restaurante segue apostando em ingredientes de diferentes origens, técnicas e combinações contemporâneas para criar uma experiência que vai muito além do sushi de salmão.