Do guarda-roupa ao impacto social, Recife ganha brechó que transforma roupas usadas em oportunidades

por Redação
29 de setembro de 2026 às 12h29min

Com mais de 7 mil peças, nova Loja Humana aposta na economia circular para gerar empregos, incentivar o consumo consciente e financiar projetos sociais

O Recife passa a integrar, a partir de 1º de outubro, a rede internacional de lojas de segunda mão da Humana, organização que atua com coleta, triagem e comercialização de roupas em diferentes países. A Loja Humana Recife abre as portas ao público às 9h, na Rua do Hospício, 179, na Boa Vista, com a proposta de unir moda acessível, economia circular e impacto social.

A nova unidade é a segunda capital brasileira a receber uma Loja Humana com o conceito de brechó sustentável, depois de Salvador, onde a operação da marca começou no país. No exterior, a rede Humana People to People está presente em 49 países, em cinco continentes, e mantém atividades relacionadas à coleta e comercialização de roupas de segunda mão em diferentes mercados da Europa, África e Américas.

No Recife, a operação nasce integrada ao Repense Reuse, projeto da Humana Brasil responsável pela coleta de têxteis pós-consumo. As roupas chegam por meio de coletores instalados na Região Metropolitana e no interior de Pernambuco e seguem para o Centro de Triagem da Imbiribeira, onde passam por seleção e preparação antes de chegar às araras da loja.

“A chegada das Lojas Humana ao Recife representa muito mais do que a abertura de novos pontos de venda. Estamos falando de geração de empregos formais, fortalecimento da economia circular e ampliação do acesso da população a uma moda sustentável e acessível”, afirma Ivanir Matos, gerente geral do Repense Reuse.

Para Ivanir, a abertura no Recife também representa um novo passo na estrutura que vem sendo construída pela organização em Pernambuco.

A gente está trazendo para o Recife uma experiência que conecta aquilo que acontece no ponto de coleta com aquilo que o consumidor encontra dentro da loja. Existe toda uma cadeia por trás de cada peça, desde a coleta e a triagem até a preparação e a venda”, explica.

Mais de 7 mil peças em uma loja de 250 metros quadrados

Instalada em uma área de 250 metros quadrados, a Loja Humana Recife terá mais de 60 araras e um acervo inicial superior a 7 mil peças. São mais de 6.500 roupas, cerca de 250 pares de calçados em exposição simultaneamente, além de mais de 600 acessórios, bolsas e brinquedos.

A organização do espaço foi pensada para transformar o chamado “garimpo” de peças de segunda mão em uma experiência de compra mais organizada. A loja é climatizada, tem mobiliário amadeirado, iluminação direcionada aos produtos e setores divididos por categorias e paleta de cores.

O espaço reúne áreas feminina, masculina e infantil, além de enxoval, esporte, plus size, calçados, bolsas e acessórios. A diversidade também aparece nos manequins da vitrine, enquanto os provadores contam com cortinas confeccionadas a partir do reaproveitamento de jeans.

Moda circular começa antes da arara

O funcionamento da Loja Humana começa muito antes da chegada do consumidor. As peças são depositadas pela população nos Pontos de Entrega Voluntária do Repense Reuse e seguem para o Centro de Triagem da Imbiribeira. Ali, os materiais passam por triagem, classificação e preparação para definir a melhor destinação.

As peças selecionadas para venda chegam à loja e passam a integrar um ciclo comercial de três semanas. A dinâmica permite que o cliente encontre maior variedade no início do ciclo ou espere pelos dias seguintes, quando os preços diminuem.

“Quando uma pessoa coloca uma roupa em um dos nossos pontos de coleta, começa ali uma nova etapa para aquela peça. Ela passa por triagem, é preparada e pode voltar para o mercado. É essa lógica que está no centro da economia circular: prolongar a vida útil do que já existe e evitar que materiais ainda aproveitáveis sejam simplesmente descartados”, afirma Ivanir.

Para a maior parte das roupas, o ciclo começa com preço de até R$ 35. A partir da primeira semana, os valores passam por reduções diárias e podem chegar à faixa de R$ 4 e, nos últimos  dias do ciclo. Bolsas, calçados e determinadas peças podem seguir uma precificação específica.

O modelo já é utilizado pela Loja Humana em outras unidades. Em Salvador, por exemplo, a organização explica que o sistema de preços variáveis é parte da estratégia para ampliar o acesso à moda de segunda mão e manter as peças em circulação.

De roupa doada a impacto social

A lógica da Loja Humana vai além da revenda. Os recursos obtidos com a comercialização das peças são destinados aos projetos sociais apoiados pela Humana Brasil, fazendo com que o consumo de segunda mão esteja conectado também ao desenvolvimento social.

O modelo adotado pela organização combina três dimensões: ambiental, econômica e social. De um lado, amplia o tempo de uso de roupas e outros produtos têxteis. De outro, cria empregos e movimenta uma cadeia que envolve coleta, triagem, logística, varejo e negócios de segunda mão. Por fim, transforma parte dos recursos gerados pelas vendas em apoio a projetos sociais.

Recife entra no circuito da moda de segunda mão

A chegada da unidade também amplia uma cadeia que já vinha sendo construída em Pernambuco por meio do Repense Reuse. Além de abastecer a nova loja, o Centro de Triagem do Recife trabalha com a venda de peças em atacado para brechós e bazares da Região Metropolitana, fortalecendo pequenos empreendedores que atuam no mercado de segunda mão.

A Loja Humana passa, assim, a ocupar mais uma etapa dessa cadeia, aproximando o consumidor final das roupas coletadas e preparadas pelo projeto. Para quem compra, a proposta é o consumo consciente e a sustentabilidade. Para quem doa, significa ampliar as possibilidades de reutilização de roupas que poderiam seguir para o descarte. Para a organização, a venda se transforma em recurso para sustentar iniciativas sociais.

A operação inicial da Loja Humana Recife terá 16 funcionários. Somados aos dez profissionais do Centro de Triagem, são 26 empregos diretos com carteira assinada relacionados à operação local.