A leitura crítica como ferramenta fundamental para a formação de cidadãos críticos e reflexivos

por Redação
24 de setembro de 2025 às 11h27min

Desenvolver essa competência ao longo do Ensino Médio permite aos estudantes interpretar textos com profundidade, analisar informações com clareza e tomar decisões fundamentadas

O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) se consolidou como uma das principais formas de acesso ao ensino superior no Brasil, sendo um instrumento essencial na avaliação dos conhecimentos dos estudantes. Contudo, no ENEM, o desafio vai além de medir o simples conhecimento factual, sendo necessário que os candidatos possuam uma habilidade crucial: a leitura crítica.

Segundo o Professor Ronaldo Queiroz, coordenador pedagógico do Ensino Médio e professor de Língua Portuguesa do Colégio Presbiteriano Mackenzie Agnes, a leitura crítica no ENEM é uma competência fundamental, pois o exame exige do candidato uma interpretação profunda, que vá além da simples decodificação de palavras.

“A habilidade de refletir criticamente sobre o conteúdo permite ao estudante compreender as camadas mais profundas do que está sendo dito, incluindo as mensagens implícitas, os pressupostos do autor e os contextos em que o texto foi produzido”, afirma.

Ele enfatiza que o estudante não deve apenas entender o que está sendo dito, mas também avaliar as intenções do autor e interpretar os textos de maneira contextualizada. Essa reflexão é essencial para que o aluno consiga realizar a análise crítica das alternativas nas questões objetivas, que, muitas vezes, apresentam distratores — alternativas incorretas criadas para explorar falhas de interpretação.

“A leitura crítica ajuda o candidato a identificar esses erros e a interpretar corretamente as questões, o que é fundamental para o bom desempenho”, acrescenta.

Leitura crítica nas diferentes áreas do ENEM
A leitura crítica tem um papel relevante nas diversas áreas do exame: Ciências da Natureza, Ciências Humanas, Matemática e Linguagens. Para a professora Cleide Freires, também docente de Língua Portuguesa do Colégio Presbiteriano Mackenzie Agnes, o ENEM não se limita à verificação do conhecimento técnico, mas exige a capacidade de contextualizar e aplicar esse conhecimento em situações-problema. Ela destaca que, em Ciências da Natureza, o estudante deve ir além da simples aplicação de fórmulas e analisar, por exemplo, os impactos ambientais de uma ação ou o
comportamento de um sistema.

“Essas questões exigem uma leitura crítica para que o candidato relacione os dados apresentados e aplique o conteúdo aprendido de maneira contextualizada”, explica a Professora Cleide.

Nas Ciências Humanas, segundo a professora Cleide, a leitura crítica permite que o estudante compreenda e interprete as relações sociais, culturais e políticas por trás de um texto.

“O candidato precisa ser capaz de identificar como diferentes perspectivas moldam os discursos e os eventos, uma habilidade que só pode ser desenvolvida por meio de uma leitura reflexiva e atenta”, comenta.

O desenvolvimento da leitura crítica no ensino
A leitura crítica, como bem afirmam os dois professores, deve ser estimulada ao longo de todo o Ensino Médio, utilizando práticas pedagógicas que favoreçam a reflexão, o debate e a contextualização dos conteúdos. Ronaldo Queiroz sugere que os professores incentivem os alunos a questionar, analisar
e discutir os textos apresentados, utilizando estratégias interdisciplinares que permitam ao estudante estabelecer conexões entre diferentes áreas do saber.

Além disso, Cleide Freires reforça a importância de desenvolver habilidades críticas não apenas para a realização do ENEM, mas para a vida acadêmica e profissional.

“A leitura crítica prepara o estudante para entender a complexidade do mundo, tomar decisões informadas e se posicionar de forma reflexiva frente às questões sociais e culturais que o cercam”, destaca a professora.