A Oficina gratuita “História Gravada” traz aulas de introdução à xilogravura

por Redação
13 de agosto de 2025 às 07h02min

Atividade faz parte da programação da exposição “Vidas em Cordel”, que engloba também ações educativas e culturais, visitas-guiadas, aulas-espetáculo e apresentações musicais

Após percorrer cinco estados, a partir desta sexta-feira (15), será a vez de Pernambuco receber a exposição “Vidas em Cordel”, promovida pelo Museu da Pessoa e com patrocínio oficial da Petrobras. As obras ocupam a sala Todo Gonzaga, no 2ª andar do Centro Cultural Cais do Sertão (Recife Antigo) até 15 de dezembro, com visitas das 10h às 16h (terça a sexta) e das 11h às 17h (sábados e domingos).

A edição sediada em Pernambuco mantém a tônica de incorporar nomes locais ao conjunto de histórias retratadas anteriormente – como Ailton Krenak, com “O Rio da Memória”, e Krystyna Drosdowicz, com “A Guerrilheira que Enganou os Nazistas”. Além disso, a organização do evento adiciona à exposição quatro expoentes do estado: o educador e patrono da educação brasileira, Paulo Freire (1921-1997), o músico, poeta, compositor, cantor e escultor Di Melo, o Imorrível, a coquista e patrimônio vivo Ana Lúcia do Coco e uma das principais responsáveis pela preservação e difusão dos cordéis no Brasil, a editora Aninha Ferraz, da editora e produtora cultural Coqueiro.

O quarteto tem histórias de vida transformadas em cordel pelas palavras de um grupo de artistas com relevo junto à literatura popular: os pernambucanos Jorge Filó, poeta, Susana Morais, cordelista, e Isabelly Moreira, poetisa – trinca acompanhada pelo professor Marco Haurélio e o contador de histórias e escritor Jonas Samaúma, ambos do trio de curadores da mostra. As xilogravuras são assinadas pela artesã Maria Edna da Silva, oficineira Catarina Dantas, pelo artista plástico e ícone dos quadrinhos Jô Oliveira e pelo multiartista Valdeck de Garanhuns, todos do estado, além da xilogravadora, pesquisadora em cultura popular e curadora da exposição Lucélia Borges. O time de artistas locais se junta a dezena de colegas de outros pontos do país integrados à exposição em dois anos de itinerância – completados agora, com a edição em Pernambuco.

Oficina

A primeira oficina oferecida pela exposição e aberta ao público será “História Gravada”, no dia 16, das 13h às 16h, ministrada por Lucélia Borges. A atividade propõe uma introdução à técnica milenar de criação e reprodução de imagem na madeira – a xilogravura -, com foco na imagética dos contos da tradição oral e elementos que dialogam com o imaginário presente nas histórias de vidas da exposição. Serão trabalhados aspectos da história da xilo, manuseio das ferramentas e processo criativo. Voltada para o público em geral, a partir dos 14 anos de idade, com inscrições por formulário disponibilizado na bilheteria do Cais.

“Toda história de vida importa e todas as histórias são verdadeiros patrimônios da humanidade, já que são únicas e insubstituíveis. Da mesma forma, a literatura de cordel é reconhecida patrimônio imaterial. A ideia de juntar as duas coisas é mostrar não só que a história de cada um de nós poderia ser retratada numa obra literária – é mágica, por mais cotidiana que seja – como também encarar a ideia de que a literatura de cordel é tão valiosa como outras formas de literatura, e não uma literatura menor, assim como as histórias de vida não podem ser vistas como menos importantes que uma história oficial”, observa o diretor de museologia do Museu da Pessoa, Lucas Lara.

A exposição tem distribuição gratuita de cordéis, oferece QR Codes com propostas interativas, reserva espaço “instagramável” para postagem de fotos nas redes sociais e conta com cabine de gravação para registro das histórias dos visitantes – instantaneamente integradas ao acervo do Museu da Pessoa. A programação distribuída em quatro meses engloba atividades educativas e culturais, visitas-guiadas, aulas-espetáculo, apresentações musicais e ações destinadas a cativar o público junto às histórias e às linguagens artísticas envolvidas.

As obras expostas presencialmente também podem ser acessadas ao lado de conteúdos exclusivos pela internet – pelo endereço memo.museudapessoa.org/vidas-em-cordel. A página disponibiliza informações complementares sobre os personagens retratados e proporciona uma experiência de contemplação distinta.

Na internet é possível fazer o download gratuito do livreto “Vidas em Cordel para Educadores”, material educativo para subsidiar atividades pedagógicas de professores sobre as histórias de vida dos brasileiros e da literatura de cordel. O site também mantém uma conexão com as redes sociais para permitir a visualização de postagens de visitantes da exposição e contém uma playlist selecionada pelos curadores – além de informações sobre a itinerância da mostra pelo Brasil. Pernambuco também está contemplado com a narração de um podcast pelo escritor recifense Marcelino Freire e pelo poeta cearense Klévisson Viana de histórias cordelizadas pela exposição.