20 de outubro de 2025 às 11h55min
Por Renata Maia
Na maternidade, costumamos ouvir que “os dias são longos e os anos são curtos.”
E também dizem: “aproveite, porque passa rápido.”
Mas, pra mim, nenhuma das duas frases parece se encaixar.
Os dias, por aqui, são curtos.
Curtos porque são muito cheios.
Tarefas, terapias, reuniões, relatórios, remédios, escola, rotina, cansaço.
Tudo cabe num único dia — e, ainda assim, sobra a sensação de que ficou algo por fazer.
Faltou terminar a tarefa de casa, o treino que a terapeuta passou, o horário para encaixar a nova terapia indicada.
O tempo corre, e eu corro junto.
Corro pra dar conta, pra cuidar, pra estar.
Já os anos… esses parecem longos.
Talvez porque os marcos de independência não chegam no mesmo tempo por aqui.
Talvez porque alguns deles simplesmente não cheguem.
E enquanto o mundo fala de filhos que crescem depressa e “vão para o mundo” — e eu vivencio isso também, tentando não me perder do meu menino “típico” —
percebo que, na maternidade atípica, o tempo é outro.
Um tempo que não se mede por partidas, mas por permanências.
Onde o amor não se traduz em deixar ir,
mas em seguir junto.