Doenças do coração lideram as causas de morte entre mulheres no mundo

por Redação
14 de março de 2025 às 06h19min

Essas doenças já ultrapassam os números de câncer de mama e de útero, conforme aponta a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC)

Durante anos, o infarto foi visto como uma preocupação masculina, mas a realidade é bem diferente. As últimas pesquisas apontam que mulheres têm mais risco de morte por infarto. A Federação Mundial do Coração alerta que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre as mulheres no mundo, sendo responsáveis por 8,5 milhões de óbitos, o que corresponde a mais de 23 mil mortes por dia.

Essas doenças já ultrapassam os números de câncer de mama e de útero, conforme aponta a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). No Brasil existiu um aumento de cerca de 62% de mortes de mulheres de 15 a 49 anos por infarto de 1990 para 2019. Na faixa etária de 50 a 69 anos, o número quase triplicou, com alta de aproximadamente 176%. A desinformação e a subnotificação de sintomas agravam esse quadro, tornando essencial a conscientização e a busca por cuidados preventivos.

“Após a menopausa, a queda nos níveis de estrogênio, hormônio que desempenha um papel fundamental na proteção dos vasos sanguíneos, aumenta significativamente o risco cardiovascular nas mulheres. Além disso, fatores como o estresse mental e emocional, frequentemente agravados pela dupla ou até tripla jornada de trabalho, contribuem para esse cenário. A sobrecarga entre a vida profissional, os cuidados com a casa e os filhos pode levar ao sedentarismo, má alimentação, tabagismo e consumo excessivo de álcool, todos fatores que elevam as chances de infarto do miocárdio”, destaca o médico Edmilson Cardoso, que é chefe do serviço de Cirurgia Cardíaca do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e cirurgião da equipe do Instituto do Coração de Pernambuco (Incor-PE) do Real Hospital Português.

Quais os sinais do infarto em mulheres?

Os sintomas de doenças cardiovasculares nas mulheres costumam se apresentar de forma mais genérica, tornando a procura por uma especialista mais demorada e, muitas vezes, o diagnóstico é tardio e o tratamento é feito de modo inadequado. Os sinais são diversos e distantes do que costuma ser o sinal convencional nos homens – a dor no peito, e outros como náuseas, vômitos, dor nas costas e no pescoço, falta de ar e indigestão.

Por que as mulheres são mais propensas a terem infarto?

As artérias coronárias no coração da mulher são mais finas e, por isso, há uma maior tendência a sofrer com bloqueios nas artérias principais e menores, que levam sangue ao coração. Dessa forma há também um maior risco de infarto. Nas mulheres mais jovens, há ainda uma associação a ovário policístico, menopausa precoce, disfunções de hipertensão na gravidez, diabetes gestacional e parto prematuro.


É possível prevenir o infarto em mulheres?

Não há como prever o infarto, mas algumas ações simples no dia a dia podem ajudar a prevenir, como alimentação saudável; Prática regular de atividade física; Evitar o tabagismo; Evitar o consumo de bebidas alcoólicas; Controlar o peso; Controlar doenças crônicas que são fatores de risco para as doenças do coração, como a hipertensão, o diabetes e a dislipidemia.