Espetáculo sobre o Recife é uma experiência sensorial que celebra a Rua da Aurora e a Rua do Sol

por Redação
14 de agosto de 2025 às 11h59min

Em ‘Aurora entre Vias e Vidas‘, o público vai poder vivenciar um Recife de antigamente, nos cenários, figurinos, trilhas, poesias e dança, mas sempre com propostas voltadas para o amanhã

A história da cidade do Recife contada no palco do Teatro Luiz Mendonça. Assim será a estreia de Aurora entre Vias e Vidas, primeiro espetáculo autoral do Centro de Artes Grupo Vida, que será encenado nos dias 16 e 17 de agosto, em Boa Viagem. A montagem, é uma celebração do Recife e de suas múltiplas camadas de memória, presença e transformação.

Com direção geral de Rita Vieira – fundadora e idealizadora do Grupo Vida, que há 45 anos vem formando gerações de artistas no Recife – e direção cênica e texto de Analice Croccia, a obra nasceu da vontade de transformar a cidade em cena viva, e suas ruas em personagens. Foi assim que a Rua do Sol e a Rua da Aurora se tornaram Sol e Aurora, dois corpos simbólicos que conduzem o público por uma travessia sensível entre o concreto e o imaginado.

Concebido como um espetáculo de dança multimídia, Aurora entre Vias e Vidas mistura coreografias em estilos diversos – jazz, sapateado, contemporâneo e danças urbanas- com projeções audiovisuais, trilhas de artistas pernambucanos e depoimentos reais de quem habita a cidade. A dramaturgia fragmentada acompanha o passeio de Sol e Aurora, dois personagens simbólicos: Sol – um jovem negro, artista, pulsante e presente – e Aurora, uma mulher, vestida de tempo e saudade, que carrega em si a nostalgia da cidade, em uma metáfora sobre pertencimento, tempo e resistência urbana. 

Personagens

No palco, a personagem Aurora, interpretada pela atriz convidada Mariana Perazzo, é o passado vestido de poesia. Ao seu encontro caminha Sol, interpretado pelo artista Gui Faiat. A travessia se completa com a presença de três outras figuras simbólicas: Lua – Malu Guimarães, a guardiã da noite; a cantora de frevo, Thais Lima, que irrompe como memória coletiva e alegria popular; e a Poesia, de Nanda Fonten, presença etérea que borda palavras no ar. Juntos, esses personagens encarnam um Recife dividido entre memória e futuro, entre saudade e reinvenção.

A trilha sonora costura canções autorais de Nanda Fonten, diretora musical do espetáculo, e Vitor Araújo, Flaira Ferro, Barbarize, Uana, Silvério Pessoa, Alceu Valença, Chico Science, Nação Zumbi e Antônio Maria, entre outros, com sons urbanos: buzinas, batidas, vozes e o silêncio dos rios. No encontro entre passado e presente, e sinalizando o futuro, o trabalho propõe uma travessia poética pelas memórias que habitam o concreto, pelas luzes que cortam a noite, pelas vozes que ainda ecoam nas calçadas. Uma travessia entre tempo, corpo e território, onde a cidade se revela em suas luzes, sombras e sonhos.

O espetáculo traz vídeos documentais, captados pelo diretor audiovisual, Max Levay, com cenas reais da cidade de hoje (Rua do Sol, Aurora, Ponte Maurício de Nassau, Marco Zero, mangue…); vídeos poéticos, a exemplo de flutuações no rio, sombras projetadas, silhuetas dançantes, céu se transformando, uso de câmera lenta e sobreposição; vozes em off: depoimentos de pessoas reais alternando com o silêncio ou com trilha ambiente; e imagens de arquivo com antigos carnavais e cenas em preto e branco.

Intervenção artística com ilustração ao vivo

Além disso, pela primeira vez num espetáculo de dança, haverá uma intervenção artística do artista visual e arte educador, Teo Armando, que fará uma ilustração ao vivo em grafite enquanto os bailarinos se apresentam. O grand finale também é mais um ponto de destaque na exibição, pois levará ao palco o músico Mestre Lua de Olinda e seu grupo Poço de Batuque.  

O elenco é formado por mais de sessenta bailarinos, todos alunos e alunas do Grupo Vida – crianças, jovens e adultos. As coreografias foram concebidas pelos professores e coreógrafos Bianca Morena, Duda Serafim, Gui Faiat, Madson de Paula, Thiago Sousa e Rita Vieira.

A obra se ancora em uma dramaturgia híbrida, na qual o corpo dos intérpretes se entrelaça com trilhas sonoras emblemáticas, textos de autores pernambucanos (como Gilberto Freyre e Miró da Muribeca), depoimentos pessoais e os vídeos captados por Max Levay, em locações reais do Recife.