Fotógrafa pernambucana celebra 300 anos do maracatu rural com exposição gratuita no Cais do Sertão

por Redação
12 de agosto de 2025 às 11h05min

Mostra, que reúne 41 registros, passa a receber visitas a partir desta próxima terça-feira (12/8) e fica em cartaz até o mês de setembro

A capital pernambucana será vitrine de uma viagem pela memória e pela cultura popular. Nesta terça-feira (12/8), o Cais do Sertão – (PE), abre as portas para receber a estreia da mostra “De Cambinda ao Maracatu: Na Mata tem Brinquedo”, primeira exposição individual da fotógrafa Cláudia Dalla Nora. A mostra é gratuita e fica aberta até 12 de setembro.

O evento antecede o Dia do Patrimônio Histórico e Cultural, comemorado na quinta-feira, (17/8).
O maracatu de baque solto, também chamado rural, nasceu no século XVIII entre populações negras escravizadas e seus descendentes, no interior de Pernambuco. Essa manifestação mistura elementos africanos, indígenas e europeus. É um rito coletivo que atravessa gerações e permanece vivo como patrimônio cultural.
As imagens, captadas pela fotógrafa, nas cidades de Nazaré da Mata – Capital Estadual do Maracatu Rural, Tracunhaém e Buenos Aires, revelam a força de uma cultura que transforma dor em dança, barro em altar e suor em poesia. A exposição reúne 41 fotografias, inéditas, divididas entre cores vibrantes e tons em preto e branco. Os registros mostram ensaios, cortejos e encontros comunitários.

Entre elas, estão imagens do Encontro de Maracatus do Engenho Bringa, em Tracunhaém, considerado um dos principais espaços da tradição na Zona da Mata Norte. A mostra, resultado da pesquisa e imersão da fotógrafa, busca apresentar, também, o dia a dia da convivência cultural dos mestres e brincantes.

“Se o maracatu desfila para não esquecer, eu fotografo para lembrar”, afirma a artista, que usa a fotografia como linguagem de memória e resistência. Durante a visitação ao local, moradores, turistas e visitantes, serão convidados a realizarem uma travessia sinestésica. No espaço, que recebeu a curadoria da produtora cultural, Gisele Carvallo, será possível perceber as fotografias
posicionadas de modo a flutuar em tecidos rústicos, como velas ao vento.

Figurinos da agremiação, confeccionados à mão, e de forma artesanal, pelos próprios artesãos, brincantes e folgasões, revelam detalhes que carregam memórias de gerações. Versos de loas nas paredes marcam o compasso do ambiente, que pulsa como o toque dos chocalhos. A exposição é ambientada com tecnologia sonora. As vozes de mestres e mestras também poderá ser contemplada pelas pessoas que vão passar por lá. A ideia é possibilitar que o público tenha a oportunidade de apreciar a sonoridade das poesias populares que dialogam com as imagens.

“Essa interação é para criar a sensação de que o visitante sinta-se parte da brincadeira popular, caminhando no ritmo do maracatu”, contou Claudia.

Além dessas novidades, a exposição terá, ainda, a possibilidade de transmitir cheiros da vegetação canavieira, e que contribuem para cultura do maracatu, a exemplo de terra molhada, galhos de arruda, entre outras especiarias. Esta mostra tem incentivo da Secretaria de Cultura, Fundarpe e Governo de Pernambuco, por meio dos recursos da PNAB – PE (Política Nacional Aldir
Blanc de Fomento à Cultura em Pernambuco).