17 de outubro de 2025 às 13h51min
Integrális promove palestra com o pediatra Daniel Becker, nesta sexta (17), às 19h, no Teatro RioMar Recife
Como enfrentar os desafios atuais da infância? Este é o tema que o pediatra e ativista pela infância, Daniel Becker, referência nacional em saúde da infância, vai falar num evento para pais, educadores, gestores escolares, profissionais de saúde e todos que desejam ampliar o repertório sobre desenvolvimento infantil e cuidado integral. Entre os temas abordados está um dos maiores problemas do mundo atual: as telas e o que elas trazem de benefícios e malefícios para crianças típicas e atípicas.
O encontro nesta sexta (17), às 19h, no Teatro RioMar Recife, é organizado pela Rede Alis, através da clínica Integrális. O acesso é gratuito mas as vagas são limitadas. A Integrális é uma empresa da Rede Ális que pretende transformar a saúde e a qualidade de vida das pessoas por meio de conhecimento, acolhimento e trocas de experiências. Tendo o alergologista Waldemir Antunes Neto à frente, a Rede Ális atua em diversas frentes de saúde especializada e educação, com foco em inovação, cuidado integral e impacto positivo na comunidade.
Por isso, a ideia de promover um momento para refletir sobre como o uso consciente das telas pode respeitar e apoiar o desenvolvimento de cada criança e adolescente — típicos e atípicos. No encontro, o pediatra e sanitarista Daniel Becker será apresentado pela contadora de histórias Carol Levy, que torna o bate-papo ainda mais lúdico, para todo mundo entender.
Eles vão revelar o que todos já sabemos. Que a infância de hoje apresenta novos desafios que impactam diretamente o desenvolvimento das crianças: excesso de telas, mudanças nos hábitos familiares, rotina cada vez mais acelerada e pressões emocionais que atingem desde cedo. Daí, vai surgir a polêmica: “Como garantir que nossas crianças cresçam saudáveis, seguras e preparadas para o futuro?”. Eis a pergunta mais difícil de ser respondida.
Com mais de 30 anos de experiência, Daniel Becker vai trazer uma visão clara, acessível e inspiradora sobre como educadores, pais e profissionais de saúde podem atuar para transformar a infância em uma fase de descobertas equilibrada e saudável. Uma infância com mais brincadeira, e menos tela. Em uma era hiper conectada, o contato com a natureza, as brincadeiras ao ar livre e o tempo longe das telas já aparecem como prescrição médica. Daniel Becker prescreve além de alimentação saudável e vacinação, tempo de convívio entre pais e filhos.
O problema é que tem havido uma desconexão entre pais e filhos. As crianças estão mais tempo em tela, e os pais também.
“No consultório, passaram a chegar muito mais alterações como ansiedade, depressão, dificuldades de linguagem e até problemas de vínculo familiar”, comenta.
Mas ele também defende que, com orientação e limites claros, a tecnologia pode ser aliada da infância. Por isso a presença de Carol Levy, com contação de histórias, estímulo à leitura entre pais e filhos antes de dormir, incentivo a deixar livrinhos infantis disponíveis para desenvolver a criatividade e o gosto pela leitura.
Becker também ressalta que, além da perda nas interações e do convívio, o excesso de telas pode prejudicar o desenvolvimento do cérebro e da cognição. “O excesso de telas vai estimular áreas que não são tão primordiais e pode levar à perda de habilidades, como foco, atenção, memória e resolução de problemas. São gerações que estão tendo mais dificuldade na comunicação e na aprendizagem.
Vale ressaltar que, algumas crianças com autismo, por exemplo, se beneficiam de vídeos estruturados e previsíveis, que ajudam a manter uma rotina. A diferença está na forma como as crianças típicas e atípicas processam esses estímulos. Enquanto uma criança típica pode se adaptar com mais facilidade, crianças atípicas exigem um acompanhamento mais próximo e personalizado. Becker vai orientar a como usar as telas com consciência, respeitando o desenvolvimento neuropsicológico de cada criança.
No ano passado, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) atualizou as orientações sobre o tempo de telas adequado para cada faixa etária.
De 0 a 2 anos: sem telas, mesmo que passivamente;
De 2 a 5 anos: uma hora por dia, com supervisão dos pais ou responsáveis;
De 6 a 10 anos: uma a duas horas por dia, no máximo, e sempre com supervisão;
Entre 11 e 18 anos: de duas a três horas por dia, e nunca deixar “virar a noite”.
O sono também é um dos pilares fundamentais para o bom desenvolvimento infantil. O descanso adequado está diretamente ligado ao desenvolvimento físico, cognitivo e emocional.
“Se usar telas no período noturno, fica com a luz da tela no cérebro mais tempo, o que diminui a produção de melatonina, hormônio responsável pela indução inicial do sono. A criança vai ter mais dificuldade para pegar no sono”, destaca Becker.
A preocupação com uma alimentação de qualidade é algo que deve ser ensinada desde cedo. Hábitos ruins na infância podem manter-se ao longo da vida, tornando-se fator de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas como as cardíacas, hipertensão arterial, diabetes tipo 2, entre outras. É muito importante que a família esteja se alimentando de forma adequada, dando o exemplo, tendo como base os alimentos minimamente processados, como cereais, leguminosas, carnes e frutas.