Recomeçar entre bolhas

por Redação
5 de maio de 2025 às 12h01min

Por Giselle Freitas

Viver com insônia é uma experiência desafiadora. A madrugada, com suas horas intermináveis, parece evidenciar o quão vasto o infinito realmente é. Quando o sono insiste em ir embora, tento acalmar a mente e esvaziar os pensamentos na esperança de que ele volte. No entanto, isso é um exercício complicado; são tantas ideias explodindo como bolhas na cabeça que fico “perdidinha”, sem saber qual delas irá estourar primeiro para oferecer uma solução.

Outro dia, cada vez que estourava uma bolha, surgia outra, e depois mais outra… Meu cérebro parecia uma banheira de espuma! (rs) Comecei a prestar atenção nos ruídos e percebi que até o silêncio tem som — um som que, por vezes, pode ser cortante, mas também se revela imprescindível. Sob esse som do silêncio, comecei a refletir sobre a vida (eita, grande coisa, todo mundo pensa na vida!), mas de uma forma não convencional, sem focar nos problemas ou nas preocupações do dia anterior. Pensei com generosidade, observando minha trajetória como se me visse de fora, sob uma perspectiva quase cinematográfica.

Fiquei tímida comigo mesma — uma loucura, certo? Pensei melhor e me perguntei: Por que estou com vergonha de revisitar minha própria jornada? Quem dera se a resposta viesse fácil… Na noite seguinte, a insônia retornou e me coloquei a pensar sobre o mesmo assunto, mas nada. Forcei o sono, e às cinco da manhã consegui descansar um pouco. Esse processo se repetiu por quatro dias. Na última noite, decidi me acolher: preparei um chá de camomila, acendi um incenso e, sentada na varanda, voltei a ouvir os sons do silêncio. Foi então que compreendi: a timidez que eu sentia em relação a mim mesma era resultado de uma cobrança exagerada sobre minhas ações. Refleti sobre as escolhas que fiz, não sobre os motivos delas.

Soltei-me, e a insônia deixou de ser solitária; estava agora acompanhada pelas minhas realizações até aqui. Entre uma risada e outra, sozinha, compreendi que o melhor é recomeçar — não do ponto onde paramos, mas a partir das bolhas que já não queremos mais em nossa banheira mental.

Minha banheira de bolhas cerebrais se tornou divertida: havia bolhas maiores, algumas tristes, mas muitas outras engraçadas — e todas elas cheias de esperança para um amanhecer com novas perspectivas, portanto que venham todas as bolhas que quisermos e pudermos alcançar!